"Sector do calçado é um sinal de esperança", diz governador do Banco de Portugal

Carlos Costa, que falava durante a abertura da 2.ª Conferência da Central de Balanços do Banco de Portugal, em Aveiro, lembrou que o sector do calçado passou de um sector sem futuro, há 30 anos, para "um dos sectores basilares do sucesso das exportações portuguesas".

"Quando se olha para evolução do valor acrescentado por activo, para a evolução das exportações, para a evolução da quotas de mercado e para a criação de valor do sector, verificamos que é um caso de sucesso", disse o governador do BdP.

Esta mudança no sector do calçado, segundo o mesmo responsável, deveu-se a uma estratégia assente em três pontos: "absorção de conhecimento, melhoria da organização e da capacidade de produção e um processo de cooperação ao nível do sector em torno da respectiva associação".

Por trás da história do sector do calçado, o Governador do BdP diz que se esconde um sinal de esperança de podermos contar com todos os outros sectores, assim eles adoptem estratégias idênticas.

"Não há empresas condenadas. Há é estratégias condenadas. A primeira estratégia condenada é a da inércia", vincou Carlos Costa, acrescentando que o desenvolvimento económico "faz-se com os empresários que temos e com as empresas que temos".

O Governador do BdP defendeu ainda a necessidade de as empresas portuguesas reforçarem a sua autonomia financeira.

"Temos de premiar o auto financiamento das empresas", disse Carlos Costa, adiantando que as empresas portuguesas "têm um nível de autonomia financeira relativamente baixo, sobretudo pelos padrões europeus".

Esta situação, segundo o mesmo responsável, constitui "um obstáculo ao desenvolvimento das empresas", porque, "a sua relação com o financiamento significa um maior risco" e, por outro lado, "há muito maior vulnerabilidade face a choques conjunturais".

Fonte: www.noticiasaominuto.com

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